Quando era criança, não tinha a percepção que ser criança te dá uma percepção muito melhor das coisas. Por mais que elas sejam difíceis.
Ainda podia descer as ladeiras do meu bairro de bike, com "as meninas" que agora são mulheres como eu e tem outras crianças para cuidar.
O ciclo da vida é um só, mas a percepção de ser criança para se tornar o adulto ou o jovem que queremos ser, muda constantemente.
A caos na ordem e a ordem no caos.
A mal no bem e a bem no mal.
Como poderia me apresentar em um blog de magia sem falar dos meus eventos.
Estes, que começaram quando tinha 7 ou 8 anos.
Uma boa idade para uma criança ter amor, afeto e compreensão mas quem me guiava, me guia e a centelha divina que o cosmos me permitiu ter, em mim como um Deus encarnado que todos somos, não imaginava o que vinha a seguir.
O tempo, é estranho. Ele passa mas parece que foi ontem que descia as ladeiras do meu bairro e comprava docinhos numa encruzilhada.
Uma bruxa, um mago, uma sacerdotisa em eras remotas que minha breve intuição e conexão com o divino me leva a escrever isto hoje. Os eventos, as pessoas, as situações que nenhum cara cinza vai conseguir compreender sem ter lido pelo menos sobre servidores astrais.
(E olha que servidores são o básico para um bom magista).
Veja bem, parece confuso mas você sente que tem a conexão. Sente que vai até você e volta a palavra, a hora, a ideia certa.
Em minha infância, eu já fazia magia sem saber. Sempre quis ser professora, nasci em um lar católico, fui batizada, fiz catecismo.
Nada demais.
Mas quando sozinha, todos me acharam "estranha". Mas porque alguém ia achar uma criança estranha?
No colégio, o bullying era constante, sobre meu cabelo principalmente, cheio, longos e poderosos.
"Ela parece a Elba Ramalho"
"Formiguinha"
Pequena, franzina, sozinha.
Todo primeiro dia de aula era o melhor do ano, era a chance de entrar alguém novo na sala e ser meu amigo(a).
E eu consegui, alguns. Poucos e bons.
Que escutavam Eminem e Akon comigo no meu Nokia abre e fecha, que gostavam dos mesmos filmes de patricinhas que eu.
Mas sozinha, em casa. No meu refúgio, onde escrevo isto hoje, nem a remota ideia do que aconteceria pairava em minha mente (parece que tô escrevendo um livro wow).
Bem, quem sou?
Mais um ser humano, como você com todos os órgãos em perfeito funcionamento, apesar de inúmeros remédios ingeridos em tentativas falhas de su$%* e nicotina em forma de cigarros que queimam e me fazem esquecer os problemas que minha própria mente criou um dia para mim.
Ainda tenho o livro da biblioteca sobre a filosofia do TAO, que não li. Não é que não tive tempo, mas quando se torna adulta tem outras coisas importantes e ler um livro se torna algo banal (o que de fato sabemos que nao é).
Ainda tenho que lidar com uma demissão onde apenas quero o justo, nada além disso mas os outros seres não pensão igual e semelhante à mim. Não sabem o que sei, o que vi, o que ouvi.
Ainda bem, que chato seria se eu não tivesse que aprender com os caras cinzas.
Enfim, eu sou eu. Você é você.
E em meu eu ainda existe uma criança que sabia flutuar pelas ruas do bairro involuntariamente, ou seguir minha mãe em sua 1hora de caminhada solitária pelo trabalho.
Hoje sei, que a frase " o caminho do mago é solitário ", sempre fará sentido.
Apesar das descidas de bike pelo bairro, protegida pelos meus mentores, que já me contavam coisas desde sempre, das aulas para meus "alunos invisíveis", que hoje sei que talvez não tenham sido tão invisíveis assim.
Sou uma bruxa. Por vezes, o meu eu humano se nega a acreditar. Mas como negar a si mesmo.
Elay, se apresentou a mim no meu primeiro presente de 25 anos.
Um sonho de infância: ter o cabelo da Clover do desenho "3 espiões demais".
Clover é autentica, única e eu queria ser ela. Mesmo já sendo.
Bastest, a Deusa egípcia se apresentou pra mim em uma tarde de quarta feira, depois de um beck em meu refugio, me fazendo ver o quão gata eu sou.
Minha mãe, me fala para não falar sobre meus poderes, meus dons (não para todos). Ela diz que isso atrapalha e eles nao vão ser feitos de modo que deveriam ser, caso os conte.
Mas o hippie ter medo de mim e me chamar de "puro sangue", só fez sentido esse dia.
E olha, faz poucos dias que tive uma conversa sincera com minha mãe sobre meus poderes.
Elas tinha os dela, mas não queria mais tê-los.
Um médium fez algo que deu um block no sistema e desconfigurou. Isso fica para outro dia.
Apesar de ser uma criança, minha diversao pela manhã era assistir Márcia Fernandes e seus poderes intuitivos na RedeTV com minha tia deficiente física que cuidava de mim.
Ela ainda cuida, mas ela é... peculiar.
Sempre falo para ela: " Tia F se você não tem pernas e é assim, imagina se tivesse..."
Ela me mostrava coisas sobre ovnis, filmes de terror, Márcia Fernandes, espíritos, vidas passadas, lia a Bíblia quando tinha medo de trovões. Preparava meu mingau mesmo que reclamando.
Amo Tia F, e tudo que ela me ensinou mas é difícil amar alguém que também te coloca pra baixo. Que não é acalento.
Mas é essas pessoas que precisamos amar e amar e amar...
Bem, outra coisa importante: estou abrindo meu chackra coronário em um centro espírita.
WOW
Uma bruxa, batizada, que frequenta igrejas igrejas vai ao centro espírita.
Bem vindos ao caos, ao qual todos que aqui estão lendo também pertencem.
Se você esperava ler algo maguinifico e legal nessas palavras e textos, encontrará mas até o mais belo poder de uma bruxa milenar tem seus "percausos", no caminho.
O caminho do mago é solitário mas não é sozinho.
Você pode alterar o caos mas precisa seguir a ordem.
São 13:11 em um dia que tomei alcatrão com mel, 2 cigarros e queria outro.
Um dia onde fui a um hospital público pela 2 vez essa semana e tive que ser como Sekhmet, uma leona defendendo os seus.
E só nesse meio tempo são 13:13 e os anjos estão comigo.
Louca, feiticeira uma deusa?
Todas em uma só.
Mas o mais importante: quando um passo é dado para frente não tem como olhar para trás. A estranha é só unha e o tempo passa.
Não sou mais a criança que gostaria de ser, muito menos fui a adolescente que gostaria de ser. Mas a adulta que sou se orgulha do caminho traçado, sem eles nada disso seria possível.
Mais coisas a seguir, se você tiver tempo ou interesse ou se chegar a alguém.
Como chegará a mim em um futuro.